Romantismo


Gerações do romantismo

A Primeira Geração (Victor Hugo)

A Primeira Geração do Romantismo no Brasil ocorreu aproximadamente entre as décadas de 1830 e 1850, chamada Indianista, recebeu esse nome devido Dom Pedro I, após a proclamação da independência em 1822, ter como objetivo reforçar uma identidade nacional e desvincular de vez o Brasil de Portugal, incentivando a valorização do índio e da natureza, colocando o índio e a exuberante natureza do Brasil como símbolos nacionais, de modo a forjar uma forte identidade nacional, agora sem a influência de Portugal.
Os principais escritores e poetas dessa geração buscavam construir uma identidade cultural nacional, valorizando o índio, a natureza, as emoções e as tradições brasileiras, enquanto criticavam a influência estrangeira. Entre os principais representantes da Primeira Geração do Romantismo no Brasil, destacam-se: Gonçalves de Magalhães: considerado o precursor do Romantismo no Brasil, foi autor de "Suspiros Poéticos e Saudades", obra que inaugurou esse movimento literário no país.

Minha terra tem palmeiras, 
Onde canta o Sabiá
As aves, que aqui gorjeiam
Não gorjeiam como lá.

A Segunda Geração (Vinicius)

A Segunda Geração do Romantismo conhecida como ultrarromântica ou Mal do Século, é marcada pela
utilização por parte dos escritores de uma linguagem altamente subjetiva, repleta de adjetivos, interjeições e pontuação dramática para expressar suas emoções e estados de espírito melancólicos. Nos textos e poesias, há um exagero sentimental, daí o termo Ultrarromântica, pois em se tratando de sentimento, na Segunda Geração, é oito ou oitenta, não há meio termo. Existe uma exaltação da morte, o suicídio parece, naquele momento, ser algo interessante para se obter o alívio das dores da vida: tédio, depressão, drogas, doenças. O escapismo através do uso de drogas também era frequentemente retratado nas obras, pois de certa forma, o entorpecente faz com que a pessoa escape da realidade. Há uma morbidez, uma certa paixão pelo que é mórbido, pelo que é sombrio, onde o pessimismo e a melancolia dominam. Há também idealização da mulher amada: como virgens e angelicais e o medo de sofrer, o romântico, ao mesmo tempo que deseja muito a mulher amada, tem o medo envolver-se com ela, porque ele tem medo de sofrer por amor, e tudo causa sofrimento.

Já da noite o palor me cobre o rosto
Nos lábios meus o alento desfalece
Surda agonia o coração fenece
E devora meu ser mortal desgosto!

A Terceira Geração (Antony)

A terceira geração do Romantismo no Brasil, também conhecida como “condoreira”, foi marcada por uma visão mais crítica e engajada, influenciada pelas ideias socialistas e republicanas da época. Os principais autores foram Castro Alves e Tobias Barreto que se destacaram nesse período abordando temas como abolição da escravidão, críticas sociais e nacionalismo. Suas obras buscavam uma literatura comprometida com a transformação da sociedade e a construção de uma identidade nacional própria. Os escritores dessa geração buscavam romper com os padrões estéticos e temáticos do Romantismo, abraçando uma poesia mais voltada para questões sociais e políticas. O termo "Condoreirismo" faz referência ao poema "Vozes d'África", de Castro Alves, onde o autor invoca o condor, símbolo da liberdade nas Américas, como uma metáfora para a luta contra a escravidão. Alguns dos principais representantes da Terceira Geração do Romantismo no Brasil incluem:
Castro Alves: Embora seja mais comumente associado à Segunda Geração do Romantismo, Castro Alves também é considerado um dos precursores do Condoreirismo. Seu engajamento político e sua defesa da abolição da escravidão em poemas como "Navio Negreiro" influenciaram profundamente os escritores dessa geração.
Joaquim Nabuco: Importante político, diplomata e escritor, Joaquim Nabuco foi um dos líderes do movimento abolicionista no Brasil. Sua obra mais conhecida, "O Abolicionismo", é um manifesto em prol da libertação dos escravos.
Raimundo Correia: Poeta intimista e lírico, Raimundo Correia também foi influenciado pelo Condoreirismo, embora sua obra apresente uma gama mais ampla de temas, sua poesia é marcada por uma sensibilidade aguçada e uma linguagem cuidadosamente trabalhada.

Se a estrela se cala
Se a vaga à pressa resvala
Como um cúmplice fugaz
Perante a noite confusa...
Dize-o tu, severa Musa
Musa libérrima, audaz!

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